terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sons cavernosos habitam o subsolo




"Senhoras e Senhores! O som desses caras é surpreendente! Estou a escutar "Stoned" da banda FUZZLY! "

Pelos meus pontos de exclamação devem estar percebendo a minha falta de emoção não é verdade! ¬¬  "Oh c'amon! saquem a brincadeira! Estou extasiado com o som! Muito bom! Uma pegada potente, pulsante, com uma expressão musical surpreendente!

Os parágrafos anteriores foram começados daquela forma, exclamativa, por um bom motivo, humanos! Para eu tentar passar pra vocês o que eu senti ao escutar o som do qual falei. Às pessoas  que querem sacar mais sobre o STONER ROCK curtindo boas letras, além da FUZZLY, podem dar uma escutada nas bandas PROJETO TRATOR, DEAVOLLO e FUSARIUM, esta última com seu novo EP disponível para download entre os links aqui da Cultura do Subsolo! o EP parece mesclar temas que tratam de uma escravidão sublinar através do domínio de uma classe e/ou etinia sobre a outra. Além, ainda critica a moral cristã sobre a libido, a qual o autor da música chama Flor Pagã : "Libido é uma linda flor pagã".

Ainda há nossos piratas da cidade, não consegui melhor maneira para descrever o SARJETA! "Somos bêbados drogados! O meu bolso é furado!" imaginei aquela galera vestida com trapos rasgados e cantando o refrão. O som faz lembrar os Inocentes no início da carreria, aquela pegada punk.  Ainda nessa pegada tem o NAFTALENO, cantando temas sociais. A primeira música na página myspace deles chama-se "O mundo vai acabar", na qual eles contam uma espécie de saga do fim do mundo por culpa do descaso do homem,  da falta de reflexão sobre a iminência real do fim do mundo.  Mais adiante, tratam do tema da corrupção e da união étnica.  É uma boa escutar para tentarem entender o som.

Passei agora para o som do VINCEBUZ. Iciniou um som meio psicodélico, seguindo para um metal obscuro com uma voz forte e rouca. A imagem é realmente labirintica, como diz o título da música: "Labirintos da hipnose bestial" - "Através das dimensões" é a música que se segue e resgata a bestialidade sugerida na música anterior através dos gritos rasgados por trás de um som sujo à moda do efeito FUZZ. Muito bom som, ou melhor, eu descreveria o som deles como: Fantasmagoricamente bom!

Ainda sobre sons pesados, temos a banda INDIGNA. Para quem acha que mulher não consegue cantar gutural, está na hora de rever conceitos com essa banda! O som, com a potência de um carro quatro por quatro e com  um pertinente bumbo  duplo, é cantado por uma voz bem treinada e, ainda, em português nítido! Reconheçamos que é difícil de achar essas qualidades todas reunidas nos sons pesados. Gostei, particulamente, das partes em que há backing vocals.

Não poderia deixar de falar sobre uma das minhas bandas prediletas do subsolo paulista/paulistano! O ROSWELL, que aposta numa pegada mais grunge, a voz rasgada ao mesmo tempo que cantada e bem afinada, as guitarras parecem estar em mi maior mesmo, por isso a diferença entre eles e as bandas de Seattle. Os rapazes possuem um ótimo domínio dos instrumentos que possuem em mãos, é possível conferir bons solos ao ouvir as músicas. Um som agressivamente dançante, que daria um bom bate cabeça! As letras em inglês e o despojo com que o vocalista canta faz lembrar uma mistura de Sex Pistols com Nirvana, ao mesmo tempo que combinam diferentes distorções de guitarra. Parece que ouvi a frase "Baby, I hate and love you" em uma das músicas, seguida de uma risada sarcastica.

Acho que com essas leves informações, seja possível dar início a uma leve perscrutação dos sons cavernosos do nosso subsolo paulistano.

Por: Marcos Guimarães Morais 

domingo, 29 de agosto de 2010

Sobre a arte e os artistas do subsolo

Charles Baudelaire

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
"Homem, ó desherdado amigo, eu te compús,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custa, na colina incendida,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,

Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À guela do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças chalrar em meu seio, febrís?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz:

Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrosia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!"

Assistam:

http://www.youtube.com/watch?v=2uaP0uDXp90&NR=1

Há uma preocupação por parte de algumas bandas em relação à fama. Muita gente confundindo artista com famoso, famoso com artista, alcunhando-os "celebridades", etc. Fica uma pergunta no ar, não fica? Celebridade... celebração... celebrar... celebrados... (é bom repetir isso até perder o sentido, porque não tem sentido algum falar que um apresentador de tv é um artista ¬¬ ) celebrados por que? Que motivos determinado famoso me deu pra eu comemorar ou festejar a existência dele ou dela nesse mundo? (Quero morrer quando to sentado num bar e um fulaninho qualquer põe-se a gritar chamando o nome de algum "artista" que passou na rua). Pelo amor de Deus...

Ser comentado não é fazer arte! Arte é uma loucura registrada, é o modo como um pensamento e um sentimento toma forma, passa a existir por si só, quando o espírito passa de substantivo abstrato para substantivo concreto pra depois voltar a ser abstrato na mente de outros. É o corpo do espírito, é o corpo do pensamento e da loucura. Artista pra mim é o Van Gogh, que pintou uma série de quadros em seu estado de insanidade, é o Jim Morrison a deixar aquilo que acredita-se alma ou espírito criar uma forma além do corpo, são alguns escritores que conseguem tirar de dentro de você uma sensação semelhante à sensação que ele mesmo sentiu ao registrar uma experiência sua num pedaço de papel, entende? É ver um amigo seu escrevendo coisas fantásticas num guardanapo porque teve uma epifania enquanto estava sentado numa guia de rua!

Agora pra que essa preocuoação com a fama? Tudo bem, eu poderia ter citado outros artistas não é verdade? Afinal estamos escrevendo sobre os artiistas do subsolo: o Mateus, o Koelho, o PC, o Pexe, o Jimmy Régis,  o Fabião, entre outros. Todos músicos. Ainda tem um rapaz amigo de um amigo, que pinta coisas incriveis q fazem aquela transição do substantivo , entende? Mas aí eu me pego. A fama realmente tem uma importância. Através dela é que se conhece o trabalho de um artista. Eu não conheceria a alma do vinho se não fosse pela fama do poeta...

Então por que diabos, de uns tempos pra cá, coloca-se no pedestal da fama uma porção de gente idiota!?  Quem precisa escutar "blá blá blá blá blá, mas no fundo paga um pau" Graças a Deus eu nem sei quem é esse fulano, mas eu vejo a transmissão da imbecilidade da "arte" dele se proliferando feito doença por aí. Aliás, esse tipo de gente tá conseguindo fazer arte. Não é uma arte transformar a vida das pessoas? Então, nossas celebridades estão conseguindo! transformar a massa quase toda em um monte de imbecis!

Viva!





Entrevista com Dennis Zasnicoff completa:

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=qTAky-SZXMQ
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=2uaP0uDXp90&NR=1


Por: Marcos Guimarães Morais

domingo, 22 de agosto de 2010

El publico de la Isla del Muerta




Jovens sedentos por boa música, cansados da baboseirada colorida do mainstream, basicamente isso. Nos famigerados espaços do subsolo, onde acontecem os shows, encontra-se desde os piratas mais imundos às princesinhas cansadas das aconchegantes almofadinhas que as retém em casa durante o dia; das pessoas mais interessantes, sabe essas que sabem conversar sobre tudo, ao boca aberta acostumado com a baba  que desce de sua boca todos os dias ao escutar a rádio.

"That's right kids, don't touch that dial!"

Diversas vezes nos pegamos conversando sobre os mais variados tipos de música, bluetooth-ando sons que de outra forma nunca iriamos encontrar por aí. Vide o texto sobre os sons presentes, aqui mesmo, no blog!

Sempre tem alguém que te conhece de algum canto, de algum outro show, de alguma banda, amigo de amigo de amigo, uma gatinha que te beijou em algum show, etc. Sei  é que sempre acaba todo mundo junto tomando uma boa cerveja e conversando sobre o que der na telha.

O público é extremamente variado, não chega a ser uma "balada gls" mas é possível ver algumas meninas se pegando, algum casal fazendo brincadeirinhas saudaveis dentro do carro e coisas do tipo. Digamos que seja La Ilha del Muerta de la ciudad!
Os assuntos nem sempre são sobre música, por careça que imrprivel! Nossos coiotes e abutres são provenientes de todas as classes sociais! Estão presentes nesses eventos geralmente membros de outras bandas, fans, andarilhos do rock, tem gente que sai do Butantã pra chegar na Zona  Leste, tem gente que sai  de São Bernardo do Campo pra chegar num pico ali na rodoviária Tietê, e assim por diante.

Mas o que se esperava?! É claro que o público foge aos padrões impostos pela mídia. Todo mundo super produzido, maquiado e etcs, não que não tenha, geralmente tem sim, mas em menor quantidade do que nas baladinhas por aí né... chapinha? só se for o vinho... quem é bonito é bonito sem produção! Aliás, não existe gente feia nesses picos, existem pessoas pouco alcolizadas!

Por: Marcos Guimarães Morais

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os Espaços (Pegando a estrada)




Não espere encontrar uma estrutura de palco monstruosa com fogos de artifício, iluminação de primeiro mundo, arquibancada, fileiras e mais fileiras de cadeiras para você e sua família se acomodarem, quitutes e cocktails caríssimos, mil seguranças equipados com aparelhos de última geração. Não. Não tem isso. Vai lá, pede um rabo de galo mesmo, uma maria mole e um misto quente, se for o caso, e prepare seus ouvidos para escutar músicas com conteúdo e qualidade sonora.

São em pequenos rock clubes espalhados por diversas regiões de São Paulo que acontecem os shows. Lugares como o Formigueiro (Z/L), Street Blues Bar (Z/O), Chaparral (Embu das Artes) e nos CEUs (Centro de Educação Unificado), Outs (Rua Augusta, centro).

Esses lugares abrem espaço para expressão artística e divulgação de bandas independentes, que apesar de não disporem da estrutura das casas nas quais as bandas mainstream se apresentam, acabam por oferecer ao público melhor qualidade e conteúdo sonoro.

A cada show, a cada música que se toca, a sensação que se tem é semelhante a pegar uma estrada desconhecida, na qual se guia o carro ou a moto sem saber o que se tem pela frente. O espaço oferece essa sensação de novidade, de descoberta. Realmente você pensa: "Nossa, não sabia que tinha esse tipo de som aqui!". Quem já pegou a estrada para Paranapiacaba à meia noite quando só se tem pela frente as luzes das "tartarugas" e faixas iluinando cada metro que o carro descobre? ...


Por: Marcos Guimarães Morais

"Mas afinal? O que é Rock'n'roll? Os óculos do John ou o olhar do Paul?"


Os óculos do John... é... podem ser reproduzidos, podemos comprar óculos semelhantes nas banquinhas de camelô, nas óticas espalhadas mundo a fora, até o Ozzy possui uma réplica! Ou pelo menos no formato assemelha-se ao óculos do Jonh. Por outro lado, fica difícil a reprodução, em baixa ou alta escala, do olhar do Paul!

Parecer um Roqueiro é fácil não é verdade? basta pegar aquele óculos escuro, aquela jaqueta de couro a la Ramones, aquela calça jeans rasgada e uma camisa xadrez e voa a la! eis um perfeito roqueiro! Até a atitude pode ser reproduzida! Mais um rebelde sem causa acaba de sair do forno!

"Vamos formar uma banda!"

O olhar é algo mais difícil, não concordam? Aliás, acredito que reproduzir um olhar... é algo difícil até pra atores profissionais... O que cabe ao olhar? Hm. O modo como se enxerga determinada situação, determinada obra de arte, as próprias pessoas andando por aí à moda de significantes e significados, talvez a digestão mental desses signos interpretados pelo cérebro do indivíduo que olha... bom, é complicado falar do olhar...

Como é complicado falar do "Olhar" tive esta idéia de tentar registrar o que se passa no cenário rock'n'roll, principalmente da cidade de São Paulo, onde moro no momento, e tentar mostrar para o público interessado que o Rock não está tanto em apuros quanto a cor da TV anda mostrando por aí. ¬¬

A intenção é reunir registros musicais, entrevistas e divulgar eventos das bandas que tocam o Rock 'n' Roll nos Clubes de Rock espalhados pelo cenário Underground Nacional.


Por: Marcos Guimarães Morais